• Giovanna Akkari

Cative! - 3 Perguntas: Comunicação com Propósito e Narrativas Plurais

Atualizado: Mar 8


Integrantes da Agência Cative! Da Esquerda para direita: Julia, Isis e Mari | Fonte: Acervo Pessoal

A Cative! está no mercado desde 2017 e atua em serviços de consultoria criativa, narrativas plurais, criação de persona, produção de conteúdo, entre outros. Hoje a agência de comunicação é formada por Mariana de Moraes, Julia Germano e Isis Rangel, trazendo a inconformidade como combustível para gerar comunicação.


Na própria página da Cative! elas definem como "um time de mulheres comunicadoras especialistas em comunicar o propósito de marcas visionárias. Quem vive na internet sabe a velocidade com que as coisas mudam e o quanto precisamos estar prontos para desaprender e reaprender tudo o que sabemos para acompanhar esse ritmo, por isso trabalhamos a comunicação, integrando plataformas on e offline.

Com jornalistas, relações públicas e designers multitalentosas, a Cative! possibilita uma conversa mais humana de forma natural, profissional e atual, não só para conectar marcas e consumidores, mas para aproximar pessoas."


A Agência é formada apenas por mulheres, as quais são responsáveis por toda a estruturação da empresa e por colocarem uma ideia em prática para esse empreendimento acontecer.

Workshop "Criando um persona card de respeito!" da Cative! | Fonte: Acervo Pessoal

1) Quais foram os maiores desafios na trajetória de vocês? Quais dicas vocês dariam para uma mulher que está começando um empreendimento?


Julia Germano: No empreendedorismo se fala muito sobre resiliência, num sentido de que precisamos sobreviver com um sorriso no rosto a todas as pancadas que tomamos e isso é uma coisa que me incomoda muito. É preciso sim, saber enxergar os lados positivos e persistir quando as coisas não parecem tão legais, mas quando vemos eventos de networking e principalmente aqueles grupos focados em “empreendedorismo feminino” (uso essa expressão entre aspas porque acredito que o empreendedorismo é tanto feminino quanto masculino e colocar essa chancela entre um e outro traz uma noção de que o feminino é algo à parte e que pode ser visto com menos seriedade), conseguimos enxergar uma romantização muito grande dos perrengues que levaram aquela mulher a empreender e das atitudes que precisa tomar para se manter em pé todos os dias.


Fora do mundo das startups, o empreendedorismo se dá muito mais por necessidade que por um sonho e a luta para encaixar a realidade no mundo de ilusões que muitas pessoas reproduzem é exaustiva. No mundo real, precisamos nos preocupar em checar 10x quem é a pessoa com quem vamos nos encontrar, preferencialmente ir a reuniões em lugares públicos, sempre que puder levar uma parceira ou uma amiga para evitar que algo mais grave possa acontecer nesse momento, encontrar o equilíbrio perfeito entre estar arrumada demais e ser fútil ou arrumada de menos e não ser levada a sério; são as pilhas de demandas do trabalho, as montanhas que se acumulam em casa. Só de ler tudo isso já deu pra cansar, né? Pensando nisso, acho que uma dica para uma mulher que está começando um empreendimento é essa: manter os pés no chão, encontrar a sua voz e a sua solução para o problema que gostaria de resolver, fazer um planejamento completinho, entendendo as suas limitações e fugir um pouco de quem vem com esse papo muito empoderadaaahh. No fim das contas, nosso maior foco precisa estar na construção, em cuidar de cada etapa com carinho e se preparar MUITO bem para as oportunidades.


Agência Cative! com o salão parceiro Titta Crespos e Cachos | Fonte: Acervo Social

2) Zozibini Tunzi ganhou o prêmio de Miss Universo de 2019. Relações públicas, mulher, negra, durante seu processo usou a comunicação e a visibilidade para trazer impacto a sociedade. Como vocês veem hoje o papel dos comunicadores em posições de destaque?


Mari de Moraes: Seguindo a linha do que falou a jornalista Flávia Oliveira na série Potências Negras do canal “Muro Pequeno”: quem mais vai falar sobre essas coisas que, aparentemente, só importam a nós? Os comunicadores em posição de destaque precisam ter o discernimento de entender a potência dos conteúdos que eles produzem, do nível de influência que eles tem sobre muitas pessoas e, a partir disso, iniciar discussões relevantes principalmente para o âmbito social. A visibilidade tem diversos pontos positivos e negativos, estamos expostas à uma série de comentários e opiniões diversas. Acredito que o comunicador, em grande parte, pode ser o responsável por abrir portas para que muitas outras pessoas ganhem visibilidade, independente da área de atuação no mercado. No entanto, alguns acabam por querer receber essa visibilidade exclusivamente por aquilo que ele, sozinho, está fazendo. Claro, com a equipe dele, mas quantas dessas pessoas da equipe ele tornou relevante através da visibilidade? Quantos deles não passam de meros “assistentes”, mesmo sendo responsáveis por todo o sucesso gerado? Do ponto de vista de uma comunicadora negra, posso dizer que a comunicação tem impactado muitas vidas, principalmente no âmbito online, através das mídias digitais.


Podemos ver todos os dias histórias sendo muito bem contadas e trabalhos alcançando relevância. Isso, porque conseguimos alcançar um número grande de pessoas interessadas em debater um mesmo assunto, pessoas buscando um mesmo caminho e outras que se responsabilizam por usar o espaço que tem ocupado nessas mídias para destacar o que vem sendo feito. No geral, a ideia é que ser um profissional negro sozinho em qualquer área é terrível e se você chegou lá, em uma posição de destaque, sozinho, cabe a você trazer mais pessoas iguais à você para dentro. Cabe a você exigir que outros estejam presentes, que a sua equipe te represente e tenha objetivos em comum com os seus. Só assim vamos impactar a sociedade com o que temos a mostrar, do contrário sempre seremos uma exceção no meio de tantos outros e sabemos que isso não é verdade.


"Os comunicadores em posição de destaque precisam ter o discernimento de entender a potência dos conteúdos que eles produzem, do nível de influência que eles tem sobre muitas pessoas e, a partir disso, iniciar discussões relevantes principalmente para o âmbito social. A visibilidade tem diversos pontos positivos e negativos, estamos expostas à uma série de comentários e opiniões diversas."

3) Como funciona a narrativa plural dentro da agência hoje? Qual a importância dela?


Isis Rangel: Enxergo a narrativa plural como a tentativa constante de sair do óbvio/padrão. Não precisamos revolucionar formatos (mas se quiser, pode), mas pensar profundamente em como queremos contar uma história. Tem coisas simples como escolher fotos de pessoas não-padrão para ilustrar um blog post até a iniciativa de priorizar a contratação de pessoas negras, por exemplo. Além disso, consumir o que essas pessoas estão produzindo é outra forma de apoio que às vezes não se dá atenção, mas é muito importante - afinal se eu quero um mundo mais plural, preciso dar audiência para quem está construindo narrativas fora do padrão. Acreditar na narrativa plural é saber também que nem sempre você vai ser o protagonista, às vezes é melhor ficar nos bastidores, ajudando o outro a produzir algo. Claro, se ele solicitou essa ajuda - temos que parar de achar que estamos “salvando” as outras pessoas. Tem vários exemplos de como você pode apoiar uma causa além do consumo do produto, como doar um livro para um estudante negro (como rola na @winnieteca) ou doar seu tempo de trabalho para alguma iniciativa LGBT. Em resumo, refletir a cada conteúdo produzido e também dar palco para quem está fora dos circuitos padrões e ainda assim correndo atrás é a maneira que a Cative! encontrou para efetivar as narrativas plurais em todos os lugares que atingimos enquanto comunicadoras.



LM&Co., Cative! e Coletivo UBU em Sarau Rembrandt no Rembrandt COC | Fonte: Acervo Pessoal

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