• Giovanna Akkari

3 Perguntas: Tainah Veras - Comunicação e Inovação para gerar Impacto Social

Atualizado: 15 de Nov de 2019



Sempre fui apaixonada por comunicação e criatividade! Desde muito pequena já gostava de escrever poesias e redações, criar histórias e personagens, realizar apresentações e viver experiências diferentes. Nunca tive dúvidas de que escolheria a área de Humanas. Fiz um intercâmbio de 1 ano pra França com 17 anos (que me rendeu uma experiência INCRÍVEL, um repertório SENSACIONAL e a oportunidade de dar aulas de francês em meu retorno, além de utilizar várias bibliografias internacionais em minhas pesquisas), e voltei decidida a fazer faculdade em Comunicação. Acabei ficando em dúvida em relação à habilitação na época, mas optei por Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV e fui aprovada no vestibular da Unesp (que se tornou minha segunda casa). Durante o curso, me identifiquei logo de início com as disciplinas mais teóricas e com as atividades práticas de produção e roteiro, me envolvi em vários projetos como Empresa Júnior, Faac WebTV, Vídeo Cidadão (aulas de audiovisual para comunidades carentes), sabia que gostava da parte de idealização, de estudo, de criação e de estratégia na produção de conteúdos, mas ainda não tinha me encontrado totalmente porque não era apaixonada pela parte de gravação em si. Até que, no terceiro ano, tive a disciplina de Marketing com a professora Maria Eugênia Porém (que por sinal foi minha orientadora no mestrado e hoje me orienta no doutorado), e me encantei. Soube ali que queria unir a comunicação e a criatividade no âmbito das organizações para gerar inovação e impacto positivo na vida das pessoas. 


Do terceiro ano de graduação (em 2009) para cá é com esse foco que eu tenho atuado, passando por diferentes experiências: comecei realizando pesquisas e roteiros audiovisuais para empresas de comunicação, indústrias, projetos sociais e organizações na área de serviços,  além de ter a oportunidade de dirigir um vídeo com a atriz Nicette Bruno, o que foi incrível; na sequência, fui trabalhar como estagiária e assistente de marketing na área de tecnologia realizando prospecções, conteúdos para o meio digital, elaborando cases de sucesso, e desenvolvendo projetos. Posteriormente, fui uma das 20 aprovadas entre 18 mil candidatos em um processo de trainée para uma empresa da área de varejo, onde aprendi muito sobre relacionamento, atendimento ao cliente e dinamismo do mercado; após o período do trainée decidi me aventurar em São Paulo na área de consultoria, atuando com rotinas comerciais, atividades de marketing, idealização de eventos e produção de conteúdos, além de realizar uma especialização em Marketing e Comunicação; e então, em 2013, voltei para Bauru para assumir uma oportunidade como Supervisora de conteúdo em uma emissora de TV, realizar o mestrado em Comunicação na Unesp, além de retomar as atividades como prestadora de serviços na área de roteiros de vídeos institucionais e outros projetos envolvendo criatividade, inovação e comunicação. 


No meu mestrado, feito entre 2014 e 2016, pesquisei o nexo entre aprendizagem e comunicação na construção de culturas de inovação em micro e pequenas empresas, e, logo na sequência, segui com o doutorado, onde permaneço estudando as áreas de Comunicação e Inovação em uma perspectiva crítica. Após o término do mestrado, comecei a dar aulas em cursos de graduação e pós-graduação, sigo desde então adorando a experiência, e nesse ano de 2019 passei em um processo seletivo para atuar como bolsista da Agência Unesp de Inovação por meio de um convênio com o Santander Universidades, a fim de estimular atividades de comunicação, inovação e empreendedorismo no ecossistema universitário. Ufa! rs De maneira mais ou menos resumida, essa é minha trajetória até aqui. 


"Sou muito grata a todas as empresas e pessoas que me ajudaram e me ajudam a construir o meu caminho!"


Tainah Veras | Fonte: Acervo Pessoal

Para você, como comunicação e inovação estão conectadas atualmente? Ambas estão diretamente imbricadas e são dependentes, na minha visão. A inovação é, em essência, um processo comunicacional, pois, como defende Yuval Harari, faz parte da natureza única do homo sapiens idealizar e compartilhar, em conjunto, ou seja, comunicacionalmente, coisas que não existem, que não podem ser tocadas, para dar sentido e ordenar a vida coletiva; foi assim que surgiram conceitos como as nações, o dinheiro, as religiões e as organizações. Então, apenas por meio das interações humanas criamos e colocamos em prática nossas inovações. Ao mesmo tempo, a comunicação também pressupõe um processo inovativo, se olharmos, por exemplo, da perspectiva de José Luiz Braga. Para esse pesquisador, a comunicação é uma constante tentativa de articulação de diferenças que tem dois princípios básicos: 1.a estruturação e o uso de códigos, ou seja, o ser humano precisa de bases comuns de signos e alinhamentos para se entender, e 2.a realização de inferências, ou seja, as bases comuns não são interpretadas da mesma forma por todos e nem sempre resolvem urgências, então os seres humanos precisam inventar e colocar em prática formas novas e diferentes de olhar para o cotidiano para lidar com os problemas, criando e inovando no dia a dia. Em outras palavras, pra mim, a inovação é um processo comunicacional e a comunicação é um processo inovativo. 


Tainah Veras e Maria Eugênia Porém no EI! (Encontro de Empreendedorismo e Inovação) 2018 na UNESP de Bauru | Fonte: Acervo Pessoal

Qual o seu papel na área de inovação? E como você enxerga o impacto social através do seu trabalho? Como pesquisadora e professora, busco contribuir para desmistificar a ideia de que a inovação é sinônimo apenas de tecnologia, altos investimentos, evolução e disrupção, promovendo reflexões mais críticas sobre o conceito para enxergá-lo de forma comunicacional, complexa, inclusiva e humana. Um dos autores que pesquiso em inovação, Benoît Godin, reforça a importância de ir além do que ele chama de "viés pró-inovação", ou seja, da tendência de enxergar que a inovação é sempre boa pra todo mundo independente das dificuldades e desigualdades, de que envolve sempre criar algo novo, e, alternativamente, ele apresenta em uma de suas obras, na qual convida pesquisadores do mundo todo para escreverem sobre isso, outros caminhos para pensar o conceito, mostrando por exemplo: por que ao invés de pensar na inovação como a introdução de algo novo não pensamos na retirada de determinado produto ou processo? Acredito que são reflexões como essas que precisam ser feitas para ampliar o impacto social da inovação. A meu ver, e embasando-me agora em Michel Foucault, penso que temos que ir além do que esse autor chama de "auto-evidências", ou seja, do que é tido como certo, imutável, tendo curiosidade, vontade e repertório para recusar essas auto-evidências e pensar de forma diferente. Falando agora do impacto social do meu trabalho, entendo que ele pode ser pensado em duas frentes: na Agência Unesp de Inovação e nos conteúdos criativos que produzo, eu trabalho pela associação, pela popularização e pela articulação de pessoas, ideias, atividades e propósitos a fim de fomentar o ecossistema de inovação e empreendedorismo, ou seja, eu estimulo, através da comunicação, a integração, sempre tentando, por ser apaixonada por criatividade, fazer isso utilizando palavras, metáforas, histórias e repertórios diversos.


"É um trabalho contínuo, que não dá resultado 'da noite pro dia', mas acredito que aos poucos gera grande impacto. Ao mesmo tempo em que trabalho por essa integração, busco como professora gerar impacto social ao estimular os alunos a pensarem sobre inovação como uma mudança que não precisa ser disruptiva, mas pode ser uma melhoria no dia a dia que realmente faça a diferença na vida das pessoas."

Minha orientadora de mestrado e agora de doutorado, Profª. Maria Eugênia Porém, por quem tenho grande admiração e gratidão, me disse uma coisa logo que eu comecei a dar aulas que eu nunca esqueci: conseguir despertar pelo menos um aluno de cada sala a fazer algo de bom e a modificar a realidade dele a partir dos conhecimentos que você compartilha é o que dá sentido à docência. Lembro que na minha primeira turma de pós-graduação, ministrando um módulo de inovação, pedi um trabalho aos alunos no qual eles deveriam, no prazo de 15 dias, identificar um problema na empresa em que cada um atuava, conversando com as pessoas da equipe e observando o dia a dia, para, a partir disso, propor e colocar em prática uma pequena inovação, relatando pra mim o cotidiano desse processo. Reforcei a eles que não estava preocupada com o resultado em si, mas queria que eles compartilhassem comigo como tinha sido a busca, a tentativa e as possíveis resistências de implementar algo que eles idealizaram. Depois de 15 dias, quando nos reencontramos para a segunda aula, uma das alunas veio falar comigo antes do início das atividades pra me agradecer, relatando que trabalhava em uma pequena empresa, tinha conversado com todos os empregados para saber qual seria a necessidade que ela buscaria resolver, e, fazendo isso, ela descobriu que uma das empregadas estava enfrentando problemas para organizar alguns documentos, gerando um custo alto pra empresa e correndo o risco de ser desligada. A ideia da minha aluna foi criar um espaço e uma forma de facilitar a separação, a busca e a organização desses documentos, algo muito simples, que rendeu uma economia de cerca de R$ 1500,00 para a empresa em apenas 15 dias, manteve o emprego da profissional envolvida, e fez com que um dos gestores da organização se sentisse motivado a criar um comitê de inovação para pensar, coletivamente (ou, comunicacionalmente), em outras pequenas mudanças que gerassem impacto positivo no dia a dia. Nunca me esqueci dessa história, me emocionei ao ouvir essa aluna me contar sobre esse relato. Acredito de verdade que são histórias como essa que mostram a importância do olhar crítico, empático e comunicacional para obter mudanças, e é esse impacto que procuro gerar. 


Tainah Veras e Tamara Guaraldo em ação da LM&Co. sobre as ODS | Fonte: LM&Co.

Como você avalia hoje a tríplice entre universidade, mercado e sociedade civil? Quais os pontos de evolução para a inovação? Acredito que os pontos de evolução para a inovação e a potencialização da conexão entre universidade, mercado e sociedade civil envolvem um olhar sensível, atento, empático, cooperativo e reflexivo para as necessidades, as vulnerabilidades, as desigualdades, a diversidade e o sofrimento das pessoas, mantendo a responsabilidade e o compromisso de buscar conexões, processos comunicacionais e soluções inovadoras para resolver os problemas reais da nossa sociedade. Penso que temos que ir além da ideia de competição que é tão popularizada na nossa espécie, segundo a qual muitas vezes para que um ator ganhe, o outro precisa perder. É fundamental unir forças, competências e boas práticas para gerar resultados mais sustentáveis, que efetivamente encantem, transformem e melhorem a vida as pessoas, indo além de um discurso superficial sobre o "bem comum", que é muito frequente e no dia a dia muitas vezes não condiz com a prática, sendo meramente "cosmético". Novamente citando o Harari, ele diz que precisamos entender que as corporações, o dinheiro e as nações são ficções criadas por nós para que as sociedades complexas funcionem, ou seja, elas são ferramentas. Não podemos deixar que essas ficções estejam no centro, sacrificando vidas reais a serviço delas. Temos que nos preocupar com o sofrimento humano, buscando formas de amenizar esse sofrimento. Acredito que esse propósito é fundamental para mover nossas ações. 

Para quem quiser acompanhas as atividades e saber mais sobre a Tainah, pode encontrá-la no LinkedIn, acessar seu Lattes, buscar seus perfis no Facebook e Instagram (@tainah.veras) ou ainda mandar e-mail para tainah.veras@gmail.com.


"Vou adorar compartilhar percepções e estabelecer novas conexões!"
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