• Giovanna Akkari

3 Perguntas: RPretas - A Comunicação na Redução das Desigualdades


RPretas no Festival Blogando 2019 | Fonte: Acervo Pessoal

Formado por três mulheres, negras e jovens, o RPretas é um coletivo que tem como missão manter ativa à comunicação voltada para os projetos culturais e empreendimentos negro e periférico na cidade de Bauru. Luana Protazio, Mariana Moraes e Pryscila Galvão já particiaram de eventos como Novembro Negro: Epistemologias Outras, a convite do Coletivo Negro Kimpa e do Festival @blogando em Bauru, além do RPpocket na #rpweek19 e outros.


"O RPretas nasceu da necessidade de retribuir para o movimento da cena local artística, cultural e militante, alguma coisa que fizesse a diferença dentro do que já é feito todos os dias. Nós, como crias do movimento Hip Hop, nos encaixamos no 5º elemento, que é conhecimento e temos o dom e a formação da comunicação e é através disso que traçamos a narrativa do coletivo.

O nosso objetivo principal é fazer com que os corpos negros e periféricos sejam vistos na mídia fora dos estereótipos traçados para este grupo como única identidade pertencente. Queremos mostrar que esses corpos, apesar das semelhanças, tem vivências distintas, tem vontades distintas, ambições, hábitos de consumo, vendem, criam e existem de maneiras que a mídia não aprofunda e assim, constrói narrativas preconceituosas. Esse é o nosso papel enquanto mulheres negras dentro das Relações Públicas, das periferias e do movimento Hip Hop. Além disso, nosso trabalho é levar esse conhecimento e esse debate para a área acadêmica, organizacional e para todos os lugares onde pudermos chegar, pois sabemos que esses estereótipos são feitos a partir do momento em que não temos nas equipes pessoas plurais, com vivências diferentes, para argumentar e traçar uma comunicação justa e que represente este público de verdade."


RPretas no RPpocket na #rpweek2019 | Fonte: Acervo Pessoal

1) Para vocês, qual o impacto da comunicação hoje? Como esse impacto acontece quando o tratamos pela ótica de desigualdades raciais?


A comunicação sempre teve um grande impacto quando nos referimos à opinião pública, tomadas de decisão e construção de pré-conceitos sobre hábitos de consumo, sujeitos e estilo de vida. Atualmente, com o avanço da tecnologia e das redes sociais, conseguimos ter acesso a muito mais do que o que nos é mostrado através dos grandes veículos como a televisão, o rádio, revistas e os jornais, tanto que estes, pouco a pouco, tem corrido contra o tempo para transformar seus conteúdos o mais interativo, inclusivo e "desconstruído", possível. Já que esses grandes canais, além de serem os maiores responsáveis por criar e fortalecer os estereótipos voltados para pessoas de minorias sociais, mostrando um único caminho, uma única existência, uma visão única a respeito dessas pessoas, também são mais atrasados no quesito informação, uma vez que temos acesso mais rápido na internet ao mesmo conteúdo que é repicado ali.


Hoje temos acesso a conteúdos produzidos por pessoas negras e residentes de periferias ao redor do mundo, onde estas mostram seus conhecimentos e sua opinião a respeito delas mesmas e do mundo ao seu redor. O que anteriormente estabeleceu quem elas são, quem devem ser, de onde elas vieram e para onde elas devem ir, agora é uma ferramenta que contraria todas essas imposições. A comunicação, seja ela feita da maneira que for, com ajuda da tecnologia, nos trouxe a chance de criar retóricas, de debater e de expor a nossa verdade.


2) Vocês se consideram um movimento de contracultura, certo? O que isso significa e qual é o papel desse movimento atualmente em Bauru?


Quando falamos de contracultura, falamos de abraçar a nossa vivência e mostrar para as pessoas que existimos e criamos. Cultura é aquilo que faz um grupo de indivíduos se reunir para apreciar, celebrar, educar, viver e, a cultura negra e periférica nunca foi vista como tal. Para a maioria das pessoas fora desse eixo, cultura é tudo aquilo que é importado, geralmente da Europa, todo o resto é bagunça. Um exemplo são as danças, as músicas e a religião. Onde na vida que o Ballet é diferente do Break Dance? Pois nas dificuldades, no aprendizado e no aperfeiçoamento ambos estão lado a lado no pódium, menos na aceitação popular.

Ser um movimento de contracultura é questionar: "Como que isso tudo aqui que nós vivemos, onde nos formamos e aprendemos não é cultura? Eu me encaixo aqui, eu me identifico!"

Bauru sempre foi uma cidade de várias tradições, mas todas tradições de pessoas brancas. A cidade é considerada como um polo de cultura, mas as pessoas não enxergam que grande parte do mérito desse reconhecimento se deve ao movimento Hip Hop, que trouxe tantos olhos para o interior e que tem pessoas, negras e periféricas, trabalhando de domingo a domingo pra que isso não morra e sem dinheiro, sem investimento e muito menos apoio dos órgãos públicos. Pelo contrário, muita repressão.


"RPretas exibe: Visionários da Quebrada" | Fonte: Acervo Pessoal

3) Como vem sendo a inserção da RPretas? Quais os principais desafios e quais dicas vocês dão para quem também os enfrenta?


Levando em consideração que o coletivo começou a atuação oficial em Abril de 2019, nossa inserção tem sido muito positiva. Já participamos de grandes eventos da área da comunicação, somos procuradas para falar sobre a importância que tem a nossa discussão de narrativas e colaboração dentro da cena local e, conseguimos passar para muitas pessoas e instituições a relevância da nossa causa. Percebemos também que é um assunto muito mais necessário do que imaginávamos, apesar de viver todos os dias essas questões e existirem muitas pessoas abordando esse tema.

O desafio principal tem sido coordenar a forma como vamos trabalhar com empresas na conscientização sobre situações de discriminação, no sentido de dar continuidade, avaliar ações e realmente ser compreendido como um trabalho essencial fora do mês de Novembro já que, em geral, não existem profissionais negros em posições de liderança para que o trabalho continue acontecendo.

Também enfrentamos diversas situações nas quais a maioria do público para quem estamos falando não se preocupa em continuar a busca por conhecimento sobre o tema, principalmente porque não existe apenas o RPretas, existem outros coletivos e outras pessoas negras falando de tudo. TUDO MESMO! Finanças, empreendedorismo, medicina, estética, tudo. Nós não falamos apenas de racismo. Não adianta chamar o RPretas para dar uma palestra no Sul do país, se estão ignorando os negros locais.



Que conhecer mais sobre o RPretas?

Encontre o coletivo pelo Instagram, Facebook ou por contato.rpretas@gmail.com


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